Greve de policiais pode estender-se a outros Estados

Publicado: 08.02.2012 em Greve, Polícia Militar

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Líderes de associações de policiais de diferentes regiões admitiram nesta terça-feira que pode estender-se para outros Estados a greve iniciada há uma semana pelos policiais militares da Bahia para exigir melhores salários. “Na próxima quinta-feira haverá uma assembleia dos policiais do Estado do Rio de Janeiro na qual pode ser aprovada uma greve para pressionar por aumentos salariais”, disse hoje à agência Efe o ex-deputado federal Capitão Assumção, porta-voz das reivindicações dos policiais.

Caso se concretize, a greve poderia ameaçar o Carnaval da cidade, que atrai milhares de turistas de outras partes do Brasil e do exterior. Assumção acrescentou que os policiais do Espírito Santo também realizarão na próxima semana uma reunião para decidir se paralisam suas atividades como forma de reivindicar melhores salários. Dirigentes de Pernambuco e Maranhão dizem que podem seguir o mesmo caminho.

O porta-voz afirmou que os policiais de diversos Estados também estudam a possibilidade de entrar em greve caso o Exército tente ocupar a sede da Assembleia Legislativa da Bahia, na qual vários grevistas estão entrincheirados há uma semana com alguns familiares e em cujo exterior já foram registrados alguns incidentes.

Assumção confirmou os temores expressados por alguns membros do governo que, por trás das paralisações de policiais, há uma mobilização política para pressionar o Congresso a votar a proposta de emenda constitucional conhecida como PEC 300, que estabelece um piso salarial nacional para a categoria.

A emenda prevê que o salário mínimo dos policiais em todo Brasil devem ser equiparados aos que recebem os oficias de Brasília (R$ 3,5 mil). O projeto, do qual Assumção foi o maior impulsor quando foi deputado federal, prevê a criação de um fundo com o qual o governo possa auxiliar os Es tados que não possam pagar esse salário mínimo.

Segundo o ex-deputado federal, a decisão da Câmara dos Deputados de adiar a votação da PEC 300 gerou protestos de policiais em diferentes Estados. “Os porta-vozes do governo no Congresso nos disseram que pretendem arquivar a emenda porque consideram que o salário dos policiais é um assunto regional e não nacional. Esse recado gerou insatisfação entre os policiais de diferentes estados e pode motivar novas greves”, afirmou.

Acrescentou que inclusive em Estados onde as greves já haviam sido resolvidas, como Piauí, Maranhão, Alagoas, Paraíba e Ceará, “a polícia já pensa em reiniciar as manifestações”.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o governo tem conhecimento de uma campanha articulada por policiais de diferentes Estados para pressionar pela aprovação da PEC 300 mediante atos violentos. Segundo Cardozo, o s policiais optaram por meios violentos para fazer eco de suas reivindicações salariais.

Na Bahia, a greve se mantém apesar dos pedidos das autoridades para que os policiais voltem ao trabalho e garantam a segurança no Estado, onde é registrado o aumento de assassinatos e outros atos violentos desde que começou a paralisação.

A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.

Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marc ada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.

Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.

Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos.

A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabal ho, entre outros pontos.

Fonte: Terra
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