Arquivo da categoria ‘Reflexão’

Como Deus pode falar com você?

Publicado: 13.08.2013 em Reflexão

Sonho

Publicado: 09.08.2013 em Reflexão

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Um sonho não é pecado, quando não envolve egoísmo e falta de respeito; um sonho não é apenas um sonho quando o buscamos considerando quem está a nossa volta. Um sonho que se sonha só, pode ser um pesadelo, porém, se o sonharmos com os demais, pode ser satisfação.


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Antes a mulher esperava um príncipe encantado, que a cortejasse, que a encantasse; embora muitos soubessem que isto não passava de uma utopia, que príncipes encantados não existiam, poucos ousavam desiludir a donzela, e normalmente a história terminava com uma baita decepção… Nesse tempo, a mulher não se preocupava em procurar seu par, pretendentes vinham ao seu encontro, mesmo que ela não pudesse escolher, e mesmo que escolhesse errado, ou se tais pretendentes fugissem de sua imagem do ideal, fugia da regra a caçada feminina, ela era a presa e não o predador!
O tempo passa, e a história muda. Hoje, a população feminina vislumbra uma pátria quase que matriarcal; é certo que o machismo ainda é muito expressivo na sociedade, quer seja no ocidente ou no oriente, em menor ou maior grau, porém, começa-se a perceber uma forte mudança nos hábitos dos gêneros: Hoje os homens é que são cortejados, são presas fáceis neste mundo feminino! Ao invés de ver a donzela esperar seu belo príncipe encantado, vemos verdadeiras leoas avançando em uma caçada desleal contra os impotentes homens! Hoje é o homem que espera encontrar uma princesa, na linguagem popular – Uma Amélia! – e não há quem ouse desiludir o rapazola, afinal, a máscara de Amélia, a mulher de verdade, que não reclama, que espera o seu marido, perdoa suas falhas, e ainda substitui a mamãe do barbado, é uma ótima isca para a libido masculina… Mas a verdade é: AMÉLIAS NÃO EXISTEM! Devido a essa desinformação, o resultado não é diferente da mocinha que esperava um príncipe: DECEPÇÃO.
Com essa inversão inesperada de valores acontecendo em nosso tempo, a sociedade passa por uma mutação violenta. Casais não possuem mais seus papéis definidos, tanto faz o homem ou a mulher assumir um ou outro ofício, o que vale é o acordo entre ambos, o que de fato não é ruim, e o que não vem ao caso agora! O que se discute aqui é o papel do homem e da mulher na tomada de decisão em escolher seu parceiro. Podemos dizer que, apesar do homem não ter perdido o hábito do cortejo, hoje possui um forte concorrente: a mulher; Não afirmamos que o homem perdeu a atitude, mas é que a mulher está tomando as rédeas da decisão: é ela quem escolhe, mesmo que seja o homem que corteje  É ela quem decide sair, ficar, namorar, casar, beijar, brigar, separar, etc., é certo que existem casos que fogem à regra, mas exceções não se contam!
Do jeito que as coisas andam, o homem está perdido! Somos feito meninos perto da malícia feminina, somos presas fáceis diante de suas artimanhas, e não existimos perto de sua coragem! Somos pedras brutas perto de pedras lapidadas, opacos se comparados à sua transparência e delicadeza, desprezados quando aproximados da perfeição da beleza feminina. A mulher é a prova viva de que a força não supera a sutileza, o perfume, a beleza, a pureza e toda vontade contida dentro do olhar desejoso de uma alma feminina.

Lição em Letras

Publicado: 28.07.2013 em Arte, Letras, poemas, Reflexão

Extraída de um compartilhamento de um Perfil do Facebook

A CURA GAY…

Publicado: 23.06.2013 em CURA GAY, homofobia, imagem, protesto, Reflexão

Erótico Versus Espiritual

Publicado: 19.06.2013 em A.W.TOZER, Reflexão

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O período em que vivemos bem pode passar à história como a Era Erótica. O amor sexual foi elevado à posição de culto. Eros tem mais cultuadores entre os homens civilizados de hoje do que qualquer outro deus. Para milhões o erótico suplantou completamente o espiritual.
Não é difícil verificar como o mundo chegou a este estado. Entre os favores que contribuíram para isso estão o fonógrafo e o rádio, que podem difundir canções de amor de costa a costa sem problema de dias ou de ocasiões; o cinema e a televisão, que possi­bilitam a toda a população focalizar mulheres sensuais e jovens amorosos ferrados em apaixonado abraço (e isto nas salas de estar de lares “cristãos” e diante dos olhos de crianças inocentes!); jornada de trabalho mais curta e uma multiplicidade de artefatos mecânicos com o resultante aumento do lazer para toda gente. Acrescentem-se a isso tudo as dezenas de campanhas publicitárias astutamente idea­lizadas, que fazem do sexo a isca não muito secretamente escondida para atrair compradores de quase todos os produtos imagináveis; os corruptos colunistas que consagraram a vida à tarefa de publicar fofas e sorrateiras nulidades com rostos de anjos e com moral de gatas da rua; romancistas sem consciência, que conquistam fama duvidosa e se enriquecem graças ao trabalho inglório de dragar podridões lite­rárias das imundas fossas das suas almas para dar entretenimento às massas. Estas coisas nos dizem algo sobre a maneira pela qual Eros conseguiu seu triunfo sobre o mundo civilizado.
Pois bem, se esse deus nos deixasse a nós, cristãos, em paz, eu por mim deixaria em paz o seu culto. Toda a sua esponjosa e fétida sujeira afundará um dia sob o seu próprio peso e será excelente combustível para as chamas do inferno, justa recompensa recebida, e que nos enche de compaixão por aqueles que são arras­tados em sua ruinosa voragem. Lágrimas e silêncio talvez fossem melhores do que palavras, se as coisas fossem ligeiramente diversas do que são. Mas o culto de Eros está afetando gravemente a igreja. A religião pura de Cristo que flui como rio cristalino do coração de Deus está sendo poluída pelas águas impuras que escorrem de trás dos altares da abominação que aparecem sobre todo monte alto e sob toda árvore verde, de Nova Iorque a Los Angeles.
Sente-se a influência do espírito erótico em toda parte quase, nos arraiais evangélicos. Grande parte dos cânticos de certos tipos de reuniões têm em si maior porção de romance do que do Espírito Santo.. Tanto as palavras como a música se destinam a provocar o libidinoso. Cristo é cortejado com uma familiaridade que revela total ignorância de quem Ele é. Não é a reverente intimidade do santo em adoração, mas a impudente familiaridade do amante carnal.
A ficção religiosa também faz uso do sexo para dar interesse à leitura pública, a fina desculpa sendo que, se o romance e a religião forem entretecidos compondo uma história, a pessoa comum que não leria um livro puramente religioso lerá a história, e assim se defrontará com o Evangelho. Deixando de lado o fato de que, na maioria, os romancistas religiosos modernos são amadores de talento caseiro, sendo raros os capazes de escrever uma única linha de boa literatura, todo o conceito subjacente ao romance religioso é errôneo. Os impulsos libidinosos e os suaves e profundos movimentos do Espírito são dia­metralmente opostos uns aos outros. A noção de que Eros pode ser induzido a servir de assistente do Senhor da glória é ultrajante. A película “cristã” que procura atrair espectadores retratando cenas de amor carnal em sua propaganda é completamente infiel à religião de Cristo. Só quem for espiritualmente cego se deixará levar por isso.
A moda atual de usar beleza física e personalidades brilhantes na promoção religiosa é outra manifestação da influência do espírito romântico na igreja. O balanceio rítmico, o sorriso plástico, e a voz muito, mas muito alegre mesmo, denunciam a frivolidade religiosa mundana. O executante aprendeu a sua técnica da tela da TV, mas não a apreendeu suficientemente bem para ter sucesso no campo profissional. Daí, ele traz a sua produção inepta para o lugar santo e a mascateia, oferecendo-a aos cristãos doentios e inferiores que andam à procura de alguma coisa que os divirta enquanto ficarem dentro dos limites dos costumes sócio-religiosos vigentes.
Se meu linguajar parece severo, é bom lembrar que não o dirijo a nenhuma pessoa individualmente. Para com o mundo perdido dos homens, só tenho uma grande compaixão e o desejo de que todos venham a arrepender-se. Pelos cristãos cuja liderança vigorosa mas equivocada tem procurado atrair a igreja moderna do altar de |eová para os altares do erro, sinto genuíno amor e simpatia. Quero ser o último a ofendê-los e o primeiro a perdoá-los, lembrando-me dos meus pecados passados e da minha necessidade de misericórdia, bem como da minha fraqueza pessoal e da minha tendência natural para o pecado e o erro. A jumenta de Balaão foi usada por Deus para repreender um profeta. Daí parece que Deus não exige perfeição no instrumento que Ele emprega para advertir e exortar o Seu povo.
Quando as ovelhas de Deus estão em perigo, o pastor não deve contemplar as estrelas e meditar sobre temas “inspiradores”. É obri­gado a agarrar sua arma e a correr em defesa delas. Quando as circunstâncias o exigirem, o amor poderá usar a espada, embora por sua natureza deva, em vez disso, ligar o coração quebrantado e atender os feridos. É tempo de o profeta e o vidente se fazerem ouvir e sentir outra vez. Nas últimas três décadas a timidez disfarçada de humildade tem ficado encolhida no seu canto enquanto a qualidade do cristianismo evangélico vem piorando ano após ano. Até quando. Senhor, até quando?
O MELHOR DE A.W.TOZER – ED. MUNDO CRISTÃO
ARQUIVO PESSOAL

  • walter sandro
    (Foto: Igreja Templária de Cristo na Terra -ITCT)
    Auto-denominado apóstolo Walter Sandro da Igreja Templária de Cristo na Terra -ITCT)

Auto intitulado ‘Apóstolo’ Walter Sandro, é o mais novo líder religioso alvo de acusações de estelionato por ex-fieis e blogs na internet. Vítimas que afirmam terem perdido o seu dinheiro vêm à mídia para denunciar o suposto apóstolo.

Uma das vítimas, Ivonete Valentim, contou ao The Christian Post sobre seu drama com a Igreja Templária de Cristo na Terra (ITCT), que prega uma religião sincrética. Ela diz ter perdido uma quantia próxima à R$21 mil, valor que foi dado como investimento à igreja.

Ivonete tomou conhecimento da igreja através de um programa de Walter na rádio Mundial, em São Paulo. Separada, após um casamento de mais de 15 anos, a ex-fiel encontrou conforto nas palavras do suposto apóstolo e começou a frequentar sua igreja.

“Era bem distante da minha casa, já que eu morava no Jd. Arpoador (Butantã) e as reuniões eram no Ipiranga, mas eu ia quando era possível”, explicou ela ao CP.

A princípio, Ivonete levava seus filhos, mas disse que parou de levá-los porque estavam sendo maltratados em detrimento dos animais que estavam lá, onde o apóstolo dizia que era doação ou para proteção do ambiente.

Ela conta que durante o tempo em que frenquentou foi motivada a inventir R$ 21.000,00 no chamado “grupo de inventimentos”. Nesse grupo, as pessoas se reuniam para investir em negócios que idealmente gerariam emprego e rendas mensais para os mesmos investidores.

Segundo ela, o valor pago viria dos lucros e ainda, uma pequena parcela seria destinada a ajudar a animais e as pessoas carentes.

“O Walter Sandro sempre disse que era uma associação sem fins religiosos e que era aberto a todos que quisessem participar, que não se aceita discriminação de qualquer forma religiosa, sexual, financeira – e que uma das coisas mais importantes a ser observadas é que se tratavam de pessoas com o ideal de transformar este mundo num lugar melhor para se viver e que queriam se ajudar mutuamente – Cavaleiros Templários”, escreveu Ivonete ao CP.

Ivonete receberia cada dia 30 de cada mês, 5% do valor investido, ou seja, R$ 1050, mensais. Além disso, ela poderia pedir o resgates, caso não quisesse mais participar, desde que esperasse 45 dias contratuais.

Entretanto, a ex-fiel conta os pagamentos não eram no dia agendado e ela começou a acumular dívidas. Além disso, ela diz que pediu um adiantamento de R$ 1000 e seu valor caiu para R$ 1000/mensais.

“Não conseguia mais pagar o aluguel e as minhas despesas de água, luz, telefone, e nem comprar comida para mim e para meus filhos e eram várias pessoas me cobrando, porque eles não mais me pagavam”, afirmou.

Ivonete se aborreceu e pediu o resgate, mas não chegou a receber o seu dinheiro de volta. “Depois, a enrolação continuou até que me mandaram um acordo de confissão de dívida , onde me pagariam em 40 parcelas de R$ 500,00, que eu não aceitei e desde então não recebi mais nada.”

Ivonete conta que passou constrangimentos também ao comprar um curso de R$ 700, que não lhe foi completamente dado. Ela também decidiu vender doces, mas afirma que eles eram aceitos por baixo custo e vendidos por um valor bem mais alto.

“Quando levei as cocadas (a única vez) a senhora que me atendeu disse que era muito caro R$1,50, que o retorno seria mínimo (só poderiam ficar se eu lhe entregasse por R$ 1/unid, mas na minha frente ela comercializou a R$ 3/unid – me senti uma otária, acabei deixando o dinheiro com eles.”

Ivonete lamenta que muitas pessoas ‘estejam sendo enganadas’ e afirma que vai entrar com uma ação em São Paulo para reaver o seu dinheiro perdido.

Ela afirma que além de um edifício na Rua Leais Paulistanos, no Ipiranga e uma chácara nos arredores da Rod. Anchieta, a Igreja de Walter Sandro dispõe hoje de 51 salas de reunião em todo o país.

Um blog cristão encontra que Walter Sandro é descrito como “mais um potencial estelionatário”, que nada mais faz do que “juntar técnicas motivacionais, exoterismo e evangelho da prosperidade”.

Segundo o depoimento do blog de de Ivonete, Walter mistura diversas crenças dentro de sua igreja. Ele se diz um evangélico vindo da Congregação Cristã no Brasil; usa imagens e orações de santos e anjos “São Miguel” e “São Francisco” como um católico, inclusive vestindo-se de padre em uma ocasião; usa a figura de mestres ascensinados, com um líder da nova era; e finalmente se auto intitula grão mestre, como um maçônico.

Fonte: The Christian Post

Exagero

Publicado: 11.06.2013 em C.H. SPURGEON, Reflexão, SABEDORIA BÍBLICA

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A arte de exagerar a verdade é muito comum hoje. Ouve-se dizer que as groselhas pesam o dobro do que pesam, e as chuvas de sapos, que nunca são vistas, caem regularmente quando os jornais estão sem notícias. Se o ruído da carroça que passa na rua racha a tampa da chaleira da velha senhora, dirão que ela que um terremoto causou isso. Afinal, as idéias agradáveis não são tão raras. Certas pessoas estão sempre à procura de milagres; e se não os encontram, elas os inventam. Vêem cometas todas as noites e ouvem algum conto raro todos os dias. Todos os seus moinhos de vento são montanhas. Todos seus patos são cisnes. Aprenderam a tabuada de multiplicar e a usam livremente. Se vêem seis cães juntos juram que viram uma centena de cães de caça; é verdade que ficam vermelhas como peru se alguém se mostra um pouco desconfiado. Em breve, persuadirão a si mesmos que viram dez mil leões, pois para elas tudo cresce tão rápido quanto os cogumelos e é tão grande quanto a Box Hill. 

Todas as coisas à volta delas são maravilhosas, mas ninguém é bom o suficiente para limpar suas botas. Elas são a flor da criação. São fortes como Sansão e podem enfrentar o time de João Lavrador – só não tentam isso por medo de machucar os cavalos. Sua prosperidade é imensa; poderiam pagar a dívida nacional, só que têm boas razões para não fazer isso agora. Se conservarem o negócio, girarão muitos milhões em um ano, mas, no fim, só continuam no negócio por causa dos vizinhos. Vendem os melhores produtos pelo preço mais baixo, na realidade, abaixo do preço de custo. Ninguém no condado está apto a segurar um candelabro para eles; seu negócio é o galo do terreiro e o rei do pedaço. Se eles se apropriam de uma fazenda é apenas por diversão e para mostrar aos pobres e ignorantes nativos como se faz isso. Todos seus atos são milagres! Como a aparição da besta selvagem que apareceu em nossa aldeia outro dia, eles são únicos, originais e sem rivais! Contudo, eles são embusteiros totalmente inativos como a ocupação agradável deles; o melhor de tudo ficou fora de vista, e o mesmo acontece com eles. Meu Deus, como eles contam vantagem. Ouça-os conversando. Sempre em letras maiúsculas e com pontos de admiração. “Você já viu UM CAVALO ASSIM? Porque, senhor, ele seria capaz de vencer o vento! AQUELA VACA, — deixe-me chamar sua atenção para ela. Não há nenhuma parecida na aldeia; PRESTE ATENÇÃO NO MOVIMENTO DE SUA CAUDA! Sim senhor, AQUELE MEU FILHO É MUITO INTELIGENTE, está muito acima da idade. Ele é um VERDADEIRO PRODÍGIO! Você disse como o pai? Observação muito gentil, senhor, mas há muito de verdade nisso, apesar de eu mesmo dizer que o camarada tem de levantar cedo para me vencer! SOU UM, MAS VALHO POR MUITOS! Basta olhar a fazenda, senhor, já viu alguma PLANTAÇÃO DE NABOS COMO ESSA? Um inseto na folha? De forma alguma, senhor, isso deve-se ao fato de ser uma espécie de NABO MUITO RARA, as folhas ventiladas são furadas pela natureza para deixar o ar entrar e sair! O senhor disse muitas toupeiras? Ah! Há um conto sobre isso. Saiba que NOSSAS TOUPEIRAS têm uma GRANDE PECULIARIDADE: elas fazem montículos de terra maiores do que quaisquer outras toupeiras da Inglaterra e supõe-se que sejam de uma excelente e antiga espécie inglesa já extinta. O senhor observou que CARDO MARAVILHOSO? Não é uma espécie rara? O suficiente para fazer um escocês morrer de alegria. Isso mostra a EXTRAORDINÁRIA riqueza do solo; e senhor, com certeza, A COLHEITA DE TRIGO DOS ÚLTIMOS ANOS FOI TÃO ASSOMBROSAMENTE FARTA que pensei que não teríamos espaço para ela, quase arrebentou os carroções; metade da aldeia veio para ver a debulha, o homem mais velho da igreja disse que nunca ouviu falar de uma coisa igual. A INVENÇÃO DO VAPOR FOI UMA BÊNÇÃO, POIS JAMAIS CONSEGUIRÍAMOS DEBULHAR TUDO A MÃO”. 
O homem que fala desse jeito, independentemente do instrumento que toque, fala da forma mais bonita, interessante e maravilhosa do reino ou da mais horrível, tenebrosa e assustadora do mundo. Suas botas não serviriam para Golias, mas sua língua é muito grande para a boca do gigante. Ele pinta com a palha do milho. Ele sempre exagera em tudo. Não existe nada igual a seu cavalo, seu cachorro, seu revólver, sua esposa, seu filho, seu canto, seus planos; ele é a viga mestra da igreja; ele vive como o número um; e seria difícil encontrar um homem que ele conseguisse considerar como o número dois. A água que sai do seu poço é mais forte que vinho, seu poço está cheio de sopa de ervilha; sua árvore de groselha dá uvas; você poderia morar em uma de suas abóboras; e suas flores – bem, seria difícil a própria rainha ter um gerânio igual àquele, o dele é o mais belo de todos! O maior milagre é que homens com esse caráter não percebem que todo mundo ri deles, eles ficam cegos. Todo mundo vê o fundo do prato deles, mesmo assim, eles o chamam de oceano como se apenas lidassem com linguados. Conheci homens que escancaravam a boca como as portas de um celeiro gabando-se sobre o que teriam feito se estivessem no lugar de outra pessoa. Se estivessem no Parlamento aboliriam os impostos, transformariam asilos em palácios, fariam as sondas correr com cerveja e poriam fogo no Thames; mas tudo isso depende de um se, e esse se é um tipo de portão de cinco travas que eles nunca venceram. Se o céu desabar, nos divertiremos. Se o João Fanfarrão não fizesse mais nada além de segurar as rédeas, os cavalos voariam até a lua. O se é interessante, quando um homem pula em suas costas, ele o carrega para mundos que nunca foram criados fazendo-o ver milagres que nunca foram escritos. Com um se você pode pôr toda a cidade de Londres dentro de um quarto de pote. 

Se todos os mares fossem um só,

Que mar imenso ele seria!

E se todas as árvores fossem uma só

Que árvore enorme ela seria!

E se todos os machados fossem um só,

Que machado imenso ele seria!

E se todos os homens fossem um só

Que homem imenso ele seria!

E se o homem imenso pegasse o machado grande

E cortasse a árvore enorme e a derrubasse

No imenso mar, que espirro seria!



“Que besteira!”, diz alguém; João Lavrador também pensa assim e, por essa razão, considera isso um tipo de estupidez de que os exagerados gostam muito. Isso não representa nem metade da estupidez de nove entre dez de suas grandes bobagens. 

Veja o que alguns desses camaradas dizem que fizeram! Agora, você acredita nisso? (eu não acreditaria). Rapidamente, eles fizeram suas fortunas e a de outras pessoas também. O conselho deles encheu a mala de muitos com ouro. O que diziam na reunião prendia as pessoas nas cadeiras como se tivessem cola de sapateiro. Em uma disputa eleitoral em que seu partido estava quase derrotado, ele aniquilou rapidamente a oposição com um ataque calculado hábil e inteligente. O rei Salomão era ingênuo se comparado a ele. Fez o mesmo com a religião, foi quem deu início à atividade religiosa na igreja; tudo começou com seu esforço maravilhoso. Ele botou o ovo de ouro. O povo não é agradecido ou praticamente o adoraria; é vergonhoso como foi negligenciado e, ultimamente, até mesmo afastado pelas mesmas pessoas que ajudou. Enquanto ele participava da reunião tudo corria bem; mas agora que não participa mais dizem que tem um parafuso a menos, e os que viverem mais verão mais. Quando está com uma veia de modéstia empresta as palavras de David e diz: “Quando treme a terra com todos os seus habitantes, sou eu que mantenho firmes as suas colunas”. Pensa que sua morte encheria o mundo de ossos. Se ele tirar a clientela dos concorrentes, provavelmente as pessoas fechariam suas lojas de imediato, e é apenas pelo seu descaramento que espera conseguir um meio de vida depois que tais fregueses se forem. É até agradável ouvi-los quando ficam um pouco orgulhosos de seus grandes feitos. Mas por falar em tocar a trombeta para si mesmo — ele tem uma banda completa, com tambor e tudo mais, e mantém todos os instrumentos na mais perfeita ordem para seu próprio louvor e glória. 

Prefiro arar o dia todo ou ficar na estrada com a carroça toda a noite quando o frio congela até nossos cílios do que ouvir esses grandes oradores; eles me deixam muito enjoado. Prefiro ficar sem comer até ficar tão magro como couro curtido do que comer o melhor peru, jamais servido em uma mesa, e ouvir conversa horrível deles durante todo o jantar. Eles falam de forma tão exagerada e aumentam tanto tudo que não acreditamos neles quando acidentalmente escorregam em uma ou duas palavras de verdade; por isso, você está certo em pensar que até mesmo o queijo deles pode ser falso. Eles são grandes mentirosos, mas dificilmente têm consciência disso; eles falam para si mesmos e acreditam em suas palavras bombásticas. O sapo acredita que é grande como a vaca e começa a estufar para parecer verdadeiro; eles aumentam como o sapo e arrebentarão como ele se não se derem conta disso. Todo mundo sabe que precisa tomar cuidado com esses grandes oradores. 

Eu disse para mim mesmo, aqui está uma lição para mim,

Este homem é um retrato do que eu poderia ser. 

Precisamos dizer toda a verdade, a verdade e nada além da verdade. Se começamos a dizer que 90 centímetros é um metro continuamos até dizer que um centímetro equivale a 4 ou 20 metros. Se chamarmos um novilho de vaca, um dia chamaremos um esquilo de boi. Uma vez que exageramos em tudo, podemos ficar em dúvida entre uma ovelha e um cordeiro; se você se desvia do caminho da verdade, nenhuma conversa o leva a lugar algum. Quem conta pequenas mentiras, logo contará grandes, pois o princípio é o mesmo. Onde há um buraco de rato, logo haverá um rato, e o gatinho logo vira um gato. A chuva pode ser parca, mas existe; uma pequena mentira leva a um aguaceiro de mentiras. 
O louvor de si mesmo não é recomendável. O louvor de um homem tem aroma doce quando vem da boca de outros homens, mas cheira mal quando vem da boca dele mesmo. Cultive suas cerejas, mas não cante louvores para si mesmo. 
Os exibidos não valem um caracol. A língua comprida mostra uma mão pequena. Os grandes oradores são pequenos realizadores. Cães que latem muito fogem quando chega a hora de morder. O porco mais magro guincha mais. Não é a galinha que cacareja mais a que põe mais ovos. Dizer e fazer são duas coisas diferentes. É a vaca estéril que muge. Pode haver um grande ruído de debulhar onde não há trigo. A grande ostentação se iguala à pequena zombaria. Muita espuma significa pouca cerveja. Os tambores emitem um som baixo porque não há nada neles. Os homens bons conhecem-se muito bem para precisar cantar louvores a si mesmos. Barcaças sem carga flutuam alto no canal, mas quanto mais cheias estão, mais afundam. O queijo de qualidade se vende sem publicidade; um bom vinho não precisa de recomendação; e os homens quando são realmente excelentes, as pessoas descobrem sem que ninguém conte. O orgulho é o sinal da loucura. Um zurro alto revela um asno. Se um homem é ignorante e segura a língua, ninguém o despreza; mas se ele tagarela com a cabeça vazia e com uma língua que faz o alarde de quarenta escreve seu nome em letras maiúsculas: L O U C O. 

Da mesma forma que “o asno é conhecido pelas orelhas”, também é verdade o que o sacerdote prega e o antigo provérbio afirma: “Conhece-se o homem por sua fala”.

C.H. SPURGEON – SABEDORIA BÍBLICA
Arquivo Pessoal

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Até mesmo os homens maus valorizam a firmeza de caráter. Os ladrões gostam dos homens honestos, pois eles são os melhores para se roubar. Quando você sabe onde encontrá-lo vê que ele tem boa pontuação com todos; mas ninguém tem nada de bom a dizer a respeito do camarada que uiva com os lobos e bale com as ovelhas, a não ser o diabo. De qualquer maneira, é muito comum pessoas que carregam duas caras sob um chapéu. Muitos se empoleiram com as aves e, depois, dividem-nas com Reynard (nome da raposa em um poema medieval). Muitos parecem incapazes de praticar qualquer mal, mas logo cospem fogo quando não conseguem seus propósitos. Li outro dia uma propaganda sobre casacos reversíveis; o alfaiate que os vendeu deve estar ganhando uma fortuna. Pôr os pés em duas canoas ainda está na moda. A firmeza é rara no mundo, como o almíscar em um canil. 


Você confia em certos homens tão logo os vê, mas não vá além disso, pois as novas companhias fazem deles novos homens. Como água, eles fervem e congelam de acordo com a temperatura ambiente. Alguns agem dessa forma por falta de princípios; têm a convicção de um cata-vento, portanto giram conforme o vento. É mais fácil medir a lua que saber quem são esses homens de verdade. Eles acreditam em quem paga mais. Eles sempre avaliam tudo como lã de ouro; se o dinheiro estiver à vista, “o que cai na rede é peixe”. Eles acompanham qualquer vento, norte, sul, leste, oeste, nordeste, noroeste, sudeste, sudoeste, nor-nordeste, su-sudeste ou qualquer outro que haja no mundo. Eles, como o sapo, vivem na terra ou na água e não têm nada de especial. Como o gato, eles sempre caem de pé e param em qualquer lugar se untar seus dedos. Amam com carinho seus amigos, mas seu amor repousa no armário; mas se isso não for suficiente, o amor deles corre como um rato para a próxima despensa. Eles dizem: “Deixar você, cara menina? Nunca, enquanto você tiver uma moeda”. Se você vir o mau, como eles fogem rápido! Como ratos, eles abandonam o navio que naufraga. 

Quando não há uma iguaria, Esses amigos ainda estão empacotando. 



O coração deles segue o pudim. Enquanto a panela ferve, eles sentam perto do fogo; quando o pote de alimento fica vazio, eles mudam de atitude. Eles acreditam no cavalo vencedor; usam o casaco de qualquer pessoa que consigam para lhes dar um; eles podem ser comprados às dúzias como ovos, mas quem oferecer uma moeda por eles desperdiça seu dinheiro. O lucro é o deus deles; e se tirarem o dinheiro de você ou do seu inimigo, tanto faz é bom do mesmo jeito. Se ganham, cabeças e caudas são a mesma coisa. A estrada principal ou a viela de trás são a mesma coisa, desde que cheguem em casa com o pão na cesta. São amigos dos gansos, mas comem seus miúdos. A água apesar de enlameada move a roda deles, mas isso não é o pior; são capazes de queimar o caixão da própria mãe se estiverem sem lenha e de vender o próprio pai se conseguirem algumas moedas pelos ossos do velho senhor. Nunca perdem uma chance de pensar na melhor oportunidade. 


Os outros são volúveis porque gostam tanto de boas amizades. “Salve companheiro, você apareceu no momento certo!”, esse é o cumprimento deles para viajantes ou caminhoneiros. Eles são tão agradáveis que precisam concordar com todo mundo. São sobrinhos do sr. Qualquer Coisa. Seus cérebros estão na cabeça das outras pessoas. Em Roma, beijam o pé do papa, mas em casa eles ficam roucos de tanto gritar: “Abaixo o papismo”. Admiram o vigário de Bray cujo postulado era ser o vigário de Bray quer a igreja protestante, quer católica. Eles são meros servidores do tempo, com esperança de que os tempos possam servi-los. Eles pertencem ao grupo que amarela. Bajule-os e se alimentará deles como se fossem nabos. Puxe a corda, e eles tocam como sinos e no ritmo que você quiser: fúnebre ou repique de casamento, para a igreja ou para o diabo. Eles não têm espinha dorsal, você pode vergá-los com se fossem varinhas de salgueiro, para trás e para frente, como lhe agradar. São como as ostras, qualquer um que consegue abri-las pode temperá-las. Eles são agradáveis com você e com seu inimigo. Eles sopram quente e frio. Tentam ser o João faz tudo para os dois lados e merecem ser chutados como uma bola de futebol por ambas as partes. 


Alguns são hipócritas por natureza, escorregadios como enguias e sem raça como a égua do fazendeiro Smoothey. Como um homem bêbado, eles não conseguem andar em linha reta se tentam. Eles circulam aqui e ali, como as alamedas de Surrey. Eles são crias de São Judas. O jogo duplo é o favorito deles, e a honestidade sua grande aversão. Sua língua tem mel, mas seu coração tem fel. Eles não têm raça como os cães dos ciganos. Como as patas dos gatos eles mostram almofadas macias, mas escondem garras afiadas. Se os dentes deles não estiverem podres, a língua está, e o coração é como túmulos de pessoas mortas. Se falar a verdade e mentir dessem lucro da mesma forma, eles naturalmente prefeririam mentir; pois é mais da natureza deles, como a imundice é para o porco. Eles invalidam, bajulam, adulam e desprezam; como serpentes deixam rastro em seu caminho, mas o tempo todo eles odeiam você de coração e só esperam uma oportunidade para golpeá-lo. Cuidado com os que vêm da cidade da Fraude: os srs. Duas Caras, Discurso Justo, Duas Línguas são vizinhos que é melhor manter à distância. Apesar de olharem para um lado, como fazem os barqueiros, eles estão puxando para o outro; eles são falsos, como as promessas do diabo, e cruéis, como a morte e a sepultura. 


Os enganadores de religião são os piores vermes, receio que eles abundem tanto como ratos em um monte de trigo.

Eles são como um alfinete de prata Brilhantes por fora, mas enferrujados por dentro. 



Eles cobrem sua carne negra com plumas brancas. Os sábados e os domingos operam uma diferença maravilhosa neles. Eles têm muito mais temor do ministro que de Deus. Sua religião é a imitação dos religiosos; eles não têm nenhuma religiosidade enraizada neles. Carregam o livro de hinos sacros do dr. Watts nos bolsos, enquanto entoam uma canção estrondosa. Talvez seus paletós domingueiros sejam sua melhor parte; quanto mais perto do coração deles você chega, mais emporcalhado fica. Eles tagarelam como papagaios, mas seu modo de falar não combina com seu jeito de andar. Muitos estão pescando fregueses, e falar um pouco de religião é uma propaganda barata; se o assento na igreja ou a reunião custar uma ninharia, eles compensam depois. Eles não adoram a Deus enquanto fazem negócio, mas eles negociam durante o culto de adoração ao Senhor. Os da classe mais baixa vão à igreja pela sopa, pelo pão e pelos cupons para carvão. Eles adoram a comunidade por causa do dinheiro das esmolas. Algumas das queridas e velhas senhoras Goodbodies querem um asilo abençoado, por isso, declaram ser tão abençoadas pelo abençoado ministro ou pastor a cada abençoado domingo. A caridade favorece-as, se a fé não o faz; elas sabem de que lado está a manteiga do pão. 


Outros apresentam um espetáculo religioso decente para acalmar a própria consciência que usam como um ungüento para suas feridas. Seria ótimo para eles, se pudessem satisfazer o paraíso com tanta facilidade como acalmam a si mesmos. Foi sorte encontrar alguns que progrediram muito na profissão, e até onde pude constatar, apenas pela alegria de pensar que estão em boa situação. Eles conseguiram um pequeno grupo de amigos para acreditar em sua conversa barata e considerar tudo que dizem como evangelho. A opinião deles é a verdadeira medida em relação à integridade do pregador e poderiam resolver tudo com o próprio conhecimento, eles têm galões de conhecimento para os que gostam de alguma coisa quente e forte; mas, meus queridos, se eles tivessem apenas condescendência em mostrar também um pouco de prática cristã, como a vida deles teria mais peso! Essas pessoas são como as corujas que tentam parecer pássaros grandes, mas não são, apesar de terem penas, e elas parecem extremamente inteligentes no crepúsculo, mas à luz do dia, são bem sem graça. 

Os hipócritas de todos os tipos são abomináveis, e quem convive com eles se arrepende. Quem tenta enganar o Senhor sempre está pronto para enganar seus companheiros. Em geral, muito alarido significa pouca lã. Muitos fumeiros em que esperamos encontrar bacon e presunto não têm nada de bom, apenas ganchos e fuligem negra. Os moinhos de vento de alguns homens não passam de quebra-nozes, e seus elefantes não são mais que leitãozinhos. Nem todos que vão à igreja, ou fazem uma prece verdadeira, ou cantam mais alto são os que mais louvam a Deus, nem que os que têm expressão mais ansiosa são os mais sinceros. 

O que quer dizer que os animais devem ser hipócritas! Fale de doninhas-fétidas e fuinhas, elas não são nada comparadas a eles. É melhor ser um cão morto que um hipócrita vivo. Com certeza, para o diabo ver hipócritas fazendo seu joguinho é tão bom quanto um jogo direto com ele; ele tenta os verdadeiros cristãos, mas deixa estes sós porque são do seu time. Ele não precisa atirar contra os incapazes; seu cão pode comê-los quando quiser. 
Conte com isso, amigos, se uma linha reta não vale a pena, menos ainda uma curva. O que se ganha com truques é perigoso. Ele pode proporcionar um momento de paz para pôr a máscara, mas a fraude vem para casa com você e também traz tristeza. A honestidade é a melhor política. Se não vestir a pele do leão, nem tente a da raposa. Seja verdadeiro como o aço. Deixe que sua face e suas mãos sempre mostrem, como o relógio da igreja, como vão suas obras interiores. É melhor que riam de você como do Toninho, o Conta Verdade, que ser louvado como Charlie, o Astucioso. O comportamento sincero pode nos causar problemas, mas é melhor que fazer truques. No final, os justos terão sua recompensa; mas para o inconstante alcançar o céu é tão impossível quanto um homem atravessar o oceano Atlântico com uma mó embaixo de cada braço.


C.H. SPURGEON, SABEDORIA BÍBLICA
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Gastar

Publicado: 05.06.2013 em C.H. SPURGEON, Reflexão, SABEDORIA BÍBLICA

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Ganhar dinheiro é fácil se comparado com o gastá-lo bem; qualquer um pode desenterrar batatas, mas entre dez mulheres não há uma que saiba cozinhá-las. Os homens não ficam ricos pelo que conseguem, mas pelo que economizam. Muitos homens que têm dinheiro têm tanto juízo, como os porcos têm de lã; eles estão na idade da prudência, pois já passaram dos quarenta anos e brincam com centenas de reais, como os garotos brincam com pedras. O que seus pais conseguiram com o ancinho, eles jogam fora com a pá. Depois do avarento vem o esbanjador. Freqüentemente, alguns homens contam como seus pais eram pródigos, mas não eram amigos de ninguém a não ser de si mesmos, e agora os filhos não são inimigos de ninguém, a não ser de si mesmos; o fato é que os velhos foram para o inferno pela estrada da escassez, e seus filhos decidiram chegar lá pela da abundância. Logo que o esbanjador adquire sua propriedade, ela desaparece como um pedaço de manteiga na boca de um galgo. Para ele todos os dias são primeiro de abril; ele é capaz de comprar um elefante por uma pechincha ou de pôr telhado de panquecas em sua casa, nenhuma tolice é suficiente para alegrar sua fantasia; o dinheiro queima em seu bolso, e ele precisa desperdiçá-lo alardeando o tempo todo seu lema: “Gaste, e Deus manda mais”. Ele não sossega se não tosquiar sua ovelha antes das outras; ele antecipa a receita e saca o capital e, assim, mata a galinha dos ovos de ouro e depois se queixa: “Quem pensaria que isso podia acontecer?” Não poupa na borda, mas quer economizar no fundo. Ele empresta com juros altos do Roube Todos, Engane Todos e Venda Todos e quando consegue se limpar, em tempos difíceis, põe todos eles e outros mais nas mãos dos advogados. Os tempos nunca foram bons para esbanjadores preguiçosos; e se fossem bons para eles, seriam maus para todo mundo. É um mistério porque os homens têm tanta pressa em se transformarem em mendigos; mas hoje tudo que se refere às corridas de cavalos, à preguiça e à especulação parece uma carruagem de quatro cavalos correndo todo dia para a Aldeia da Necessidade. Dinheiro vivo deve ser uma verdadeira curiosidade para homens que gastam como nobres. Eles são cavalheiros sem recursos, o que é quase o mesmo que pudim de ameixas sem ameixas.
Gastar seu dinheiro com muitos convidados 

Esvazia a despensa, o celeiro e o cofre.
Se um jogo inofensivo for feito aliado a uma vida desregrada, o dinheiro se derrete como uma bola de neve em um forno. Um jovem jogador, com certeza será um mendigo velho, se viver o suficiente para isso.

O diabo leva pelo nariz, Quem joga os dados com freqüência.

Há outros burros além dos que têm quatro pernas. Sinto dizer que os encontramos tanto entre os trabalhadores como entre os cavalheiros. Camaradas que não têm nenhuma propriedade além de seu trabalho, nem braços de família a não ser os com que trabalham, gastam seus parcos e suados salários no bar ou em bobagens. Mal recebem o salário e lá se vão eles para o “O Cão Pintado” ou para o “Marquês de Granby” levar a contribuição dos tolos para ajudar a manter a cara vermelha e a pança redonda dos donos das terras. Beber água não deixa doente, nem com dívida, nem faz de sua esposa uma viúva, porém é raro os homens darem valor ao sabor dela, no entanto a cerveja que muitos trabalhadores engolem com voracidade não é nada além de ruína escura. Cabeças duras, estúpidas e sonolentas sentam-se no banco da taverna e lava o pouco juízo que têm. No entanto, acredito que as pessoas do campo gerenciam seu dinheiro bem melhor que os londrinos, pois apesar de terem pouco dinheiro, suas famílias parecem simpáticas e asseadas aos domingos. É verdade que a renda não é tão ruim em uma aldeia como é na cidade, além de no campo haver bastante verde, entretanto esses londrinos ganham um bocado de dinheiro e têm muitas oportunidades de comprar em um mercado barato, os homens do campo não têm essa facilidade. No conjunto, creio que a administração do povo do campo que consegue manter a família com alguns trocados por semana é boa, e quem não pode fazer isso com quase o dobro em Londres é mau administrador. Por que algumas famílias são tão felizes, como os ratos no malte, com salários tão baixos, e outras são tão infelizes, como ratos em uma armadilha, com o dobro da quantia? Quem calça o sapato sabe bem onde ele aperta, mas a economia é uma coisa admirável e faz com que centavos valham mais que reais. Alguns tiram leite de pedra. E outros não conseguem se alimentar com o caldo da carne da vaca. Alguns têm tanta habilidade para comprar quanto Sansão tinha em ambos os ombros, mas não mais que isso. Eles não compram bem, não têm bom senso para utilizar seu dinheiro com proveito. Os compradores deveriam ter centenas de olhos, mas esses não têm nem metade de um, e não o abrem. Já se falou bastante que se os tolos não fossem ao mercado, não se venderia produtos ruins. Eles nunca dão ao seu dinheiro o valor certo porque freqüentemente estão à caça dos produtos mais baratos, mas esquecem-se que, em geral, o mais barato sai mais caro, ninguém pode comprar um artigo ruim com dinheiro bom. Quando oferecem cinco ovos por uma moeda, quatro estão quebrados. Pobres homens, sempre compram pequenas quantidades e pagam caro, pois o homem que compra pelo valor da moeda mantém sua casa e também a de outro. Por que não pegar o necessário para duas ou três semanas de uma vez só e, assim, conseguir mais barato? Armazenar não é doloroso. As pessoas economizam errado e estragam o navio pela metade do valor do piche do revestimento. Outros fazem pequenas economias e esquecem as coisas maiores; eles economizam em ninharias e esbanjam em outras coisas; poupam na torneira e deixam tudo fugir pelo buraco do ralo. Alguns compram coisas que não precisam porque estão uma pechincha; deixe-me dizer-lhes, o que vocês compram sem necessidade sempre é caro. Roupas finas fazem um grande rombo nos recursos das pessoas pobres. Mas será que aquilo que João Lavrador e outros buscam, enquanto trabalham duro pelo pão de cada dia, tem alguma coisa que ver com sedas e cetins? É o mesmo que um ferreiro vestir um avental branco de seda. Odeio ver uma empregada doméstica ou a filha de um operário enfeitada de um jeito que as pessoas poderiam confundi-la com uma dama. Porque todo mundo distingue girino de peixe; e ninguém confunde papoula com rosa. Vejam uma mulher com um vestido bonito e bem apresentado, limpo e confortável no que se refere à beleza ela fará as jovens sapecas e fulgurantes em pedaços. Se uma garota tem apenas algumas moedas para gastar, compre um bom pedaço de flanela para o inverno, antes de ser tentada pela aparência brilhante das coisas refinadas. Compre sempre o que servir para você vestir, não compre para as outras pessoas olharem, deixe que fechem os olhos. As mulheres são boas para alguma coisa ou não servem para nada, e sua roupa geralmente mostra isso. 
Suponho que todos nós achamos que o dinheiro desaparece muito rápido, mas afinal ele foi feito para circular e não há utilidade em armazená-lo. É péssimo ver nosso dinheiro se transformar em um empregado que nos abandona, mas seria pior tê-lo parado conosco e se tornar nosso dono. Como diz nosso pastor, devemos tentar “encontrar o meio termo” e não ser esbanjador nem mesquinho. Quem tem a melhor esposa tem seu dinheiro gasto da melhor forma. O marido pode ganhar dinheiro, mas somente a esposa pode economizá-lo. “A mulher sábia edifica a sua casa, mas com as próprias mãos a insensata derruba a sua”. De acordo com Salomão, a esposa é a construtora ou a verdadeira demolidora. Um homem não prospera até que a esposa lhe dê licença para isso. Uma dona de casa econômica é melhor que uma grande soma de dinheiro. Uma boa esposa e saúde são as melhores riquezas. Que o coração de vocês seja abençoado, o que faríamos sem elas? Dizem que elas gostam de fazer do seu jeito, mas o provérbio diz: “Uma esposa deve fazer sua vontade durante a vida, porque não poderá realizá-la depois de morta”. O clima está tão quente que não conseguirei manter esta conversação por muito tempo, portanto vou encerrar com uma citação antiga:
O céu abençoe as esposas, pois preenchem nossas colméias
com pequenas abelhas e mel!

Confortam-nos nos golpes da vida, remendam nossas meias, Mas não gastam nosso dinheiro.


C.H. SPURGEON – SABEDORIA BÍBLICA, 
Arquivo Pessoal

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Trabalhar duro é o grande segredo do sucesso. Nada além de trapos e pobreza pode vir da preguiça. Trabalhar em excesso é a única forma de se conseguir dinheiro. Sem suor nada é fácil. Quem quiser ovos de corvo tem de subir na árvore. Atualmente, todo mundo tem de construir a própria fortuna. As camisas com mangas enroladas são feitas do melhor tecido; e quem não tem vergonha do avental, logo estará apto a trabalhar sem ele. Conforme diz o pobre Ricardo: “A diligência é a mãe da sorte”, e João Lavrador completa: “A preguiça é o amortecedor do diabo”. Acredite em dar um passo de cada vez, não espere ficar rico de um salto. 

Fazer a colheita com muita ganância Não ajuda o dinheiro a aumentar. 

É melhor ir devagar com segurança que rápido e sem garantia. A perseverança, com seus ganhos diários, enriquece um homem muito mais que os trancos e barrancos da especulação auspiciosa. Peixes pequenos são saborosos. Como disse a porca enquanto batia no mosquito, todo pequeno ajuda. Dia a dia, o fio faz uma meada em um ano. As casas são construídas tijolo por tijolo. Nós engatinhamos antes de andar, andamos antes de correr e corremos antes de cavalgar. Para ficar rico, a pressa é o pior passo. A pressa passa rasteira em seu próprio calcanhar. Os escaladores ágeis sofrem quedas súbitas. 

É péssimo iniciar negócios sem capital. É difícil negociar com os bolsos vazios. Nós queremos um ovo do ninho, pois as galinhas botam onde já há ovos. É verdade que você deve cozinhar com a farinha que tem, mas se o saco estiver vazio não serve também para montar uma padaria. Fazer tijolos sem barro é muito fácil se comparado a fazer dinheiro quando não se tem nada para começar. Você, jovem rapaz, continue como artífice mais um pouco até ter economizado algum dinheiro. Voe quando suas asas tiverem penas; mas se tentar muito cedo, acontece-lhe o mesmo que à jovem gralha que quebrou o pescoço tentando voar antes de estar emplumada. Todo peixe pequeno aspira ser um tubarão, mas é prudente ser um peixe pequeno enquanto há pouca água, quando seu tanque se transforma em um mar, aí então, você pode crescer o quanto quiser. Negociar sem capital é como construir uma casa sem tijolos, fazer um fogo sem gravetos, queimar vela sem pavio; leva os homens ao engano e os faz acabar em dificuldade. 

Não desista de um negócio pequeno até sentir que o maior pagará melhor. Até mesmo as migalhas são pão. 

É melhor para um pobre cavalo ficar em um estábulo vazio;
Enfim é melhor metade de um pão do que nada. 

É melhor ter pouca mobília que uma casa vazia. Nesses tempos difíceis, o melhor para quem pode se sentar em uma pedra e se alimentar é não se mexer. De mal a pior não é um bom prognóstico. É difícil comer uma casca de pão, mas não ter nem isso para comer é mais difícil ainda. Não adianta pular fora da frigideira e cair dentro do fogo. Lembre-se, muitos homens se deram bem com lojas pequenas. Uma pequeno negócio com lucro é melhor que uma grande preocupação com prejuízo; o fogo baixo aquece você melhor que o fogaréu, que pode até virar incêndio. Pode-se obter uma grande quantidade de água de um cano fino, se o balde estiver sempre lá para captá-la. Lebres grandes podem ser capturadas em bosques pequenos. Uma ovelha pode ficar gorda em uma campina pequena e morrer de fome em um grande deserto. Quem empreende demais tem pouco sucesso. Duas lojas são como dois tocos, o homem vai para o chão entre eles, você pode arrebentar a bolsa ao tentar enchê-la demais, e se destruir pelo excesso de avidez. 

Em um grande rio encontramos bons peixes, mas tome muito cuidado para não se afogar. 

Faça o menos possível de mudanças; com freqüência, as árvores transplantadas produzem poucos frutos. Se você tem dificuldades em um lugar, terá em outro; se você se mudar por que é úmido no vale, pode achar que é frio na montanha. Aonde o asno pode ir sem ter de trabalhar? Onde uma vaca pode morar sem ser ordenhada? Onde você encontra terra sem pedras ou carne sem osso? Em todo lugar da terra, o homem deve comer pão conseguido com o suor do rosto. O homem tem de ter asas de águia para fugir da dificuldade. Mudança nem sempre significa benefício, como disse a pomba quando saiu da rede e se viu na torta. Há um tempo certo para mudar, portanto é bom você se apressar, pois uma galinha sentada não consegue milho. Mas não fique para sempre na mudança, pois a pedra que rola não cria musgo. Quem se fixa é o vencedor. Quem espera o tempo necessário vence. No fim, muita diversidade não leva a nada; mas o homem chega em casa no tempo devido montado em um cavalo. As sementes crescem no solo; os pássaros chocam seus ovos no ninho; o pão assa no forno; os peixes vivem no rio. 


Não se ponha acima dos seus negócios Virar o nariz para o seu trabalho é o mesmo que discutir com seu pão e manteiga. Só um ferreiro ruim tem medo das faíscas que faz em seu trabalho; há sempre algum desconforto em todas as atividades, mesmo para limpar chaminés. A que situação chegaríamos se os marinheiros desistissem de ir para o mar por causa da umidade, se os padeiros deixassem de assar pão por causa do calor, se os lavradores não arassem por causa do frio ou os alfaiates não confeccionassem suas roupas por medo de espetar os dedos! Besteira, meu caro companheiro, não há vergonha nas ocupações honestas, não tenha medo de sujar as mãos, pois há muito sabão para limpá-las. Todos os negócios são bons para bons negociantes. Um homem esperto pode fazer dinheiro sem se sujar. Os jogos de Lúcifer pagam bem se você vender muitos deles.

Nunca se preocupe com o mau cheiro – As moedas têm cheiro agradável. 



Você não pode conseguir dinheiro se ficar assustado com as abelhas nem semear milho se estiver com medo de sujar as botas de lama. Seria melhor se os cavalheiros afetados emigrassem para a Terra dos Tolos, em que os homens conseguem seu meio de vida usando botas brilhantes e luvas perfumadas de lavanda. Quando as barras de ferro se derreterem sob o vento sul, quando você conseguir cavar campos com palitos de dentes, movimentar navios com leques, adubar safras com água de lavanda e fazer crescer bolo de ameixa em potes de flores, então haverá um tempo bom para os janotas; mas até que o milênio chegue, temos muito para erigir e é melhor carregar nossas cargas presentes que correr com precipitação para onde encontraremos problemas bem piores. 


A palavra de ordem é: labuta. Todo mundo precisa remar com os remos que tem; e como não pode escolher o vento precisa navegar do jeito que Deus manda. Com o tempo, a paciência e a atenção trazem progresso. Se a gata esperar o suficiente no buraco pega o rato. Por isso, sempre cresce repolho e alface de boa qualidade, enquanto em alguns lugares crescem cardos. Sei, como lavrador, que é preciso subir e descer o campo muitas vezes para arar um acre, não se vence o solo andando um quilômetro de cada vez. O que ara nas nuvens vê varas e varetas surgirem no gramado, enquanto a preguiça acena. 

Tenha muito cuidado. A raposa leva as aves domésticas que dormem. Quem não fica de tocaia não caça. Os tolos perguntam o que há com o relógio, mas os sábios sabem seu tempo. Moa enquanto o vento sopra ou não acuse a providência. Deus envia a cada pássaro seu alimento, mas não o joga no ninho; ele nos dá o pão de cada dia, mas por intermédio do nosso trabalho. Agarre o tempo pelos cabelos. Acorde cedo e pegue a lagarta. A hora matinal vale ouro. Quem está no fim da fila leva toda a poeira nos olhos, levante-se cedo e inicie bem seu dia.

Nunca tente negócios sujos para conseguir dinheiro. Não vale a pena lamber mel de espinhos. Um homem honesto não se faz de cachorro só para conseguir um osso. É difícil andar no gelo da tentação; o passeio de patins atrai, mas termina com uma queda forte ou coisa pior. Quem come no mesmo prato que o diabo precisa ter uma colher longa. Nunca se arruíne em função de dinheiro; pois é o mesmo que se afogar em um poço para beber um gole de água. Não leve nada na mão de que possa se arrepender. É melhor caminhar descalço do que ir de carruagem para o inferno; é melhor que o pássaro morra de fome do que engorde com a saliva; é melhor para o rato conseguir pouco mordiscando o queijo do que ser pego na ratoeira. Dinheiro limpo ou nada – pois dinheiro ganho da forma errada é uma perda sem retorno. 

Um bom artigo, com peso certo e um preço justo, traz compradores para a loja, mas as pessoas não recomendam a loja em que são enganadas. Os trapaceiros nunca prosperam ou se conseguem deve ser em Londres onde têm a oportunidade de conseguir compradores à custa de quem possam viver. Às vezes, o arqueiro acerta o alvo à distância, mas um lance certeiro é o melhor. A bolsa do enganador está cheia de buracos O que usa sapatos roubados fica com bolhas nos pés. Os que têm os dedos ardilosos encontram outras coisas pegajosas além da prata. Roube enguias, e elas se transformam em cobras. Quanto mais uma raposa roubar, mais cedo será caçada. Se um trapaceiro quisesse fazer um bom negócio, seria bom se tivesse um irmão gêmeo honesto. Se tudo que você almeja é lucro, ainda assim negocie honestamente, pois é a melhor forma de jogar. 

Olhe mais para os seus gastos. Se sair mais do que entra, você será sempre pobre. A arte não reside em fazer dinheiro, mas em mantê-lo; as pequenas despesas são como ratos em um celeiro, causam muito prejuízo em grandes quantidades. A cabeça fica careca fio por fio; a cabana fica sem sapé palha a palha; e a chuva entra no quarto gota a gota. O barril esvazia logo, se a torneira vazar não mais que uma gota por minuto. Os frangos são depenados pena a pena, se a criada persistir na tarefa. Pequenos ácaros comem o queijo; pequenos pássaros destroem uma grande quantidade de trigo. Quando você quiser economizar comece pela boca; há muitos ladrões na alameda dos bares. A garrafa de cerveja faz você esbanjar muito. Em todas as coisas, mantenha-se dentro dos limites. Quanto às roupas, escolha as confortáveis e de tecido durável, não as enfeitadas e espalhafatosas. Estar aquecido é o mais importante; nunca se importe apenas com a aparência. Nunca estique suas pernas além do que seu coberto pode cobrir ou logo você se resfria. Qualquer tolo pode conseguir dinheiro, mas é preciso ser sábio para gastá-lo. Lembre-se que é mais fácil construir duas chaminés que manter uma funcionando. Se gastarmos tudo na sala e na mesa não sobra nada para a poupança. Se você se esforça e trabalha duro enquanto é jovem poderá repousar quando ficar velho.

Nunca seja indulgente com a extravagância a não ser que queira pegar um atalho para o asilo. O dinheiro tem asas próprias, e se encontrar outro par de asas não tente saber se voam rápido. 

Quem tiver e não mantiver;

Quem quiser e não procurar;

Quem beber e não estiver com sede, 

Vai querer dinheiro tanto quanto eu. 

Se nosso povo apenas visse a quantia de dinheiro que joga fora em bebida ficaria de cabelo em pé com o susto. Por que ele engole rios de cerveja, mares de cerveja preta e lagos enormes de bebidas alcoólicas e outras aguardentes? Todos nos vestiríamos como cavalheiros e viveríamos como galos de briga se gastássemos em bebida alcoólica com sensatez. Precisaríamos nos levantar mais cedo para gastar todo nosso dinheiro, pois nos veríamos, de repente, quase como ricos apenas por estancar o gotejar da torneira. De qualquer forma, vocês jovens, que desejam subir no mundo, devem ganhar pontos derrubando metade de suas canecas e pondo na cabeça que as bebidas alcoólicas jamais podem tomar conta de vocês. Tenham seus luxos, se quiserem, depois que tiverem feito fortuna, mas apenas depois disso procurem seu pão e seu queijo. Espero que me perdoem por tecer esse longo fio, mas comecei a puxar, e ele veio. Minha conversa parece a corda do irlandês que o impedia de entrar no navio porque alguém tinha cortado a parte final. Apenas gostaria de dizer que não sejam gananciosos, pois a cobiça é sempre pobre; esforcem-se para ir em frente, pois a pobreza não é virtude, e subir no mundo traz crédito para o homem, além de conforto. Ganhem tudo o que conseguirem economizar e, depois, dêem tudo que puderem dar. Nunca tentem economizar com a causa de Deus; tal dinheiro macula o resto. Quando se dá para Deus não há perda; é como pôr sua essência no melhor banco. Na verdade, dar é ter, como está escrito na lápide antiga: “O que gastei, eu tive; o que economizei, perdi; o que dei, eu tenho”. O bolso do pobre é um cofre seguro, sempre é um bom investimento emprestar ao Senhor. João Lavrador deseja vida longa e prosperidade para todos os jovens. 

O suficiente em prosperidade

Saúde abundante,

Longos anos de contentamento, 

E quando a vida tiver passado,

Uma mansão na glória de Deus.


C.H. SPURGEON – SABEDORIA BÍBLICA, 
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Muito pouco desse papel deve ser depositado na conta de João Lavrador, pois nosso ministro, conforme posso dizer, encontrou os cavalos e segurou as alças do arado; o lavrador apenas interferiu com um toque de chicote de vez em quando, apenas para manter o povo acordado. “Duas cabeças pensam melhor que uma”, disse a mulher quando levou seu cão com ela ao mercado. Peço desculpas, mas nosso ministro é essa mulher, e a única cabeça sensível em tudo isso. Ele é usado como instrumento para dar ao povo muitas coisas diferentes das que um lavrador poderia tirar de sua mochila; mas eu tenho, a seu pedido, deixado cair em seus pensamentos alguns provérbios caseiros, como ele diz: “Como o sal”, que é uma forma sutil de temperar algo. Eu apenas espero não ter estragado a escrita dele com minhas expressões toscas. Se ele concordar, eu gostaria de ter mais um pouco de suas peças para alinhavar com minhas palavras; e ao público dir-se-á, sempre com honestidade, se as anotações devem ser consideradas como A Palavra de João Lavrador, como um todo, ou como palavras de dois autores reunidas em uma só escrita.

Há mais pensamentos em uma hora do que horas em um ano. Os pensamentos voam em flocos como bandos de estorninhos; como enxames de abelhas; como folhas secas de outono que não se pode contar e como os elos de uma corrente, uns ligados aos outros. Que ser intranqüilo é o homem! Seus pensamentos dançam de lá para cá como mariposas em uma noite de verão. A mente move-se rápida como o tempo em um relógio cheio de engrenagens, e o pêndulo em plena oscilação. Isso nos faz pensar em algo muito importante. Os pequenos pensamentos transformam-se em muitos, da mesma forma que muitos pensamentos leves têm um grande peso pecaminoso. Um grão de areia é muito leve, mas Salomão nos diz que um monte de areia é pesado. A mãe que tem muitos filhos cuida muito melhor deles. Temos de vigiar nossos pensamentos, pois são tão numerosos que nos arruínam se viram nossos inimigos. Os pensamentos celestiais enchem nossa alma de cânticos, como os pássaros na primavera; mas os pensamentos do mal picam-nos como víboras.

Há um consenso de que o pensamento é livre; mas lembro-me de ter lido que apesar dos pensamentos não pagarem impostos, eles não estão livres do inferno; e essa noção está completamente de acordo com a excelência do Antigo Testamento. Não podemos ser citados antes de uma breve sessão de conciliação, mas dependendo dela, podemos ser julgados por isso no julgamento final. Os maus pensamentos são a essência do pecado, estão no malte de onde o pecado é extraído; na isca que apanha as faíscas das tentações do demônio; na igreja onde o leite da imaginação é transformado em objetivo e projeto; no ninho onde todos os pássaros maus botam seus ovos. Portanto, estejam certos de que assim como o fogo queima o matagal e as toras, Deus punirá os pensamentos pecaminosos e as obras do pecado.
Que nenhum de nós suponha que o Senhor não conhece nossos pensamentos, pois ele tem uma janela no mais íntimo de cada alma, uma janela que não temos como fechar. O olho de Deus nos vê, da mesma forma que observamos a colméia de abelhas em um vidro. A Bíblia afirma: “A Sepultura e a Destruição estão abertas diante do Senhor; quanto mais os corações dos homens!” O homem é totalmente visível para Deus. Com o céu não há segredos. Porque o que fazemos em um lugar escondido do coração é tão visível quanto as ruas diante de olhos que vêem tudo.
Mas alguns alegarão que não dão oportunidade para os maus pensamentos. Talvez seja verdade, mas a questão é: eles odeiam os maus pensamentos ou não? Não podemos evitar que os ladrões espiem através de nossas janelas, mas se abrimos nossa porta para eles e os recebemos alegremente, somos tão maus quanto eles. Não podemos ajudar os passarinhos a voar sobre nossas cabeças, mas podemos evitar que façam ninhos em nosso cabelo. Pensamentos inúteis batem a nossa porta, mas não devemos abri-la para eles. Ainda que os pensamentos pecaminosos venham a nossa mente, não podemos deixar que eles a dominem. Quem rola um bocado de algo na boca uma vez e mais outra, faz isso porque aprecia o sabor, e o que pensa no mal, gosta dele e está pronto para se entregar a ele. Pense no diabo que ele aparece; dirija seus pensamentos para os pecados, e logo suas mãos os seguem. As lesmas deixam seu muco atrás de si e os pensamentos vãos também. Uma flecha pode voar através do ar sem deixar nenhum sinal, mas o mau pensamento sempre deixa rastro, como uma serpente. Onde houver muita movimentação de maus pensamentos, haverá muito lodo e sujeira; cada onda de pensamentos perniciosos acrescenta algo à corrupção que deteriora a praia da vida. É terrível pensar que um único ato fútil, facilitado pela imaginação, ajuda na obtenção da chave de nossa mente em que poderá entrar de novo com muita facilidade, quer queiramos, quer não, e trazer mais outros sete espíritos mais perversos que ele. Ninguém sabe o que pode acontecer a seguir. Dê vazão ao pecado enquanto ainda está latente no pensamento, e ele cresce como um gigante. Mergulhe uma corda em gasolina e ela incendeia quando o fogo a alcança. Se um homem permanece mergulhado em pensamentos depravados está pronto para entregar-se abertamente ao pecado tão logo surja a oportunidade. Isso nos mostra é sábio, a cada dia, vigiar os pensamentos e as fantasias do nosso coração. Os pensamentos de Deus são convidados abençoados e devem ser bem-vindos, alimentados e procurados pelo nosso coração.

C.H. SPURGEON – Sabedoria Bíblica

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Alguns homens nunca estão acordados quando o trem parte, mas se arrastam até a estação ainda a tempo de ver que todo mundo já partiu e, então, dizem sonolentos: “Puxa vida, o trem já partiu? Meu relógio deve ter parado à noite”. Eles sempre chegam à cidade um dia após o início da feira e mostram suas mercadorias uma hora depois do mercado fechar. Eles aproveitam a oportunidade quando o sol se põe e cortam seu milho logo que o tempo bom termina. Eles gritam: “Segure firme!”, depois que o tiro saiu do revólver e fecham a porta do estábulo quando já roubaram o cavalo. São como a cauda da vaca, sempre atrás; pegam o tempo pelo calcanhar, não pelo cabelo; se é que realmente o aproveitam de alguma forma. Não têm mais valor que um almanaque velho cuja validade expirou por falta de uso. Infelizmente, não podemos ignorá-los, como faríamos com o almanaque, pois são como a velha senhora rabugenta beneficiária de uma anuidade da qual pretende receber o valor integral; eles não morrem apesar de não terem serventia vivos. Como dizem, a calma e a vida longa são primos irmãos, o resto é compaixão. Se eles são imortais enquanto tiverem trabalho a fazer não morrerão logo, pois ainda nem começaram a trabalhar. Em geral, as pessoas ociosas se desculpam pela preguiça dizendo: “Eu só estou um pouco atrasado”, mas um pouco atrasado é quase sempre muito atrasado, e um erro é um erro. Meu vizinho Sykes cobriu o poço depois que seu filho se afogou nele, enquanto ele estava muito ocupado na parte de baixo da velha fazenda trazendo baldes de água a fim de apagar o fogo que já tinha destruído toda a casa. Com certeza, ele fará seu testamento quando já não puder segurar a caneta e apenas pensará em se arrepender de seus pecados quando seus sentidos não funcionarem mais.
Essas carroças lentas pensam que amanhã é melhor que hoje e tomam por regra um antigo ditado transformado em confusão: “Não faça hoje o que pode deixar para amanhã”. Eles estão eternamente esperando que seu navio chegue e estão sempre sonhando e procurando coisas do amanhã, enquanto a grama cresce na área de plantio, e as vacas passam através das brechas da cerca. Se os pássaros não fizessem nada além de esperar que alguém pusesse sal em suas caudas, que refeição eles levariam para casa, para suas famílias! Mas enquanto as coisas se movem em seu próprio ritmo, os mais jovens, em casa, terão de encher suas bocas com colheres vazias. Eles dizem: “Não importa, tempos melhores virão, esperemos mais um pouco”. Seus pássaros todos estão no arbusto e, de acordo com a avaliação deles, raramente estão gordos, e precisariam estar, pois ainda não têm nada em mãos, e a esposa e as crianças estão quase mortos de fome. Eles dizem que alguma coisa acontecerá, mas por que os preguiçosos não fazem acontecer por si mesmos? O tempo e a maré não esperam por ninguém, e mesmo assim esses camaradas desperdiçam o tempo como se fossem donos dele e da vida e tivessem uma gaiola cheia de oportunidades. Eles descobrirão seu erro quando a necessidade acabar com eles, e isso não demora muito a acontecer com alguns em nossa aldeia que já estão há um bom tempo a caminho da terra da necessidade. Quem não ara não pode esperar ter alimento; os que desperdiçam na primavera têm um outono magro. Eles não malharam enquanto o ferro estava quente e logo descobrirão que o ferro frio é muito difícil de malhar.

“O que não quer enquanto pode, Recebe um não quando quer.”
O tempo não fica amarrado ao poste como o cavalo, à manjedoura. Ele passa como o vento, e o que mói seu milho com o vento precisa pôr em movimento as velas do moinho. O que boceja até ser alimentado fará isso até morrer. Não se consegue nada sem sacrifício além de pobreza e sujeira. De acordo com o antigo dito: “O Jack progrediu por causa de sua estupidez”. Penso que o Jack veria que isso é muito diferente hoje, mas o Jack, em tempo algum, progrediria pela tolice, deixando as oportunidades presentes escaparem dele, porque as lebres nunca chegam perto da boca dos cães enquanto eles dormem. Pois para quem tem tempo e espera sempre um momento melhor, chega o momento em que se arrepende do tempo perdido. Não adianta ficar deitado chorando: “Deus me ajude!”. Deus ajuda os que ajudam a si mesmos. Quando vejo um homem que declara que as coisas não vão bem e que nunca tem sorte, em geral, digo a mim mesmo: “Aquele ganso velho não se sentou sobre os ovos antes de estarem todos fecundados e agora culpa a providência porque eles não chocaram. Na realidade, eu nunca tive fé na sorte, mas, em casos excepcionais, acredito que a sorte auxilia um homem a passar sobre um fosso se ele pular bem e coloca um pedaço de bacon em seu alforje se ele correr atrás de um porco. A sorte geralmente vem para aqueles que procuram por ela, e a meu ver ela bate na porta de todo mundo, pelo menos uma vez na vida, mas se não aproveitamos a oportunidade, ela vai embora. Os que perderam a última chance e deixaram cada oportunidade passar por eles, amaldiçoam a providência por pôr tudo contra eles: “Se eu fosse um chapeleiro, os homens nasceriam sem cabeças”. Outro diz: “Se eu fosse procurar água no mar, ele secaria”. Todo vento é louco para um navio desgovernado. Nem os sábios nem os ricos podem ajudar quem recusou ajudar a si mesmo por muito tempo. João Lavrador, de forma muito gentil, envia seus cumprimentos aos amigos e agora que a colheita terminou e o lúpulo está todo colhido, ele, conforme prometeu, pretende dar-lhes um pouco de poesia apenas para testar o polimento. João pediu que o ministro que lhe emprestasse as obras de um poeta, ele enviou a obra de George Herbert – sem dúvida, muito bom, mas tão difícil como Harkaway Wood. No entanto, uma boa parte desses estranhos versos antigos, de vez em quando, ainda aparece como cachos de nozes muito doces, mas algumas delas são ainda mais difíceis de quebrar. Embora o verso, a seguir, esteja próximo do que falei, na verdade, ele é bem simples, e João, apesar de pedir perdão ao poeta, não vê rima nele. Entretanto, como é de autoria do grande Herbert, ele tem de ser bom e é o bastante para ornamentar a palavra de João, como a flor colocada na lapela de um paletó domingueiro. 
Deixa que teu pensar fique submisso, calmo, projetando onde,quando e como tuas ocupações podem ser feitas.A negligência cria larvas, mas o viajante confiante,mesmo que apeado algumas vezes, prossegue.Sozinho, age e impulsiona almas a viverem. Escreve sobre os outros, eis aqui um desses.

SABEDORIA BIBLICA – C.H. SPURGEON
Arquivo Pessoal


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Um bom cavalo não tem uma cor desagradável, e um pregador realmente bom pode vestir o que mais lhe agradar, pois ninguém vai dar importância a isso, mas apesar de não conhecermos o vinho pelo barril, uma boa aparência é uma carta de recomendação, mesmo para um lavrador. Os sábios não se apaixonam nem se desiludem à primeira vista, ainda assim a primeira impressão é sempre uma coisa importante mesmo para eles; o que dizer então em relação aos menos esclarecidos para quem, por não serem sábios, uma boa aparência representa meio caminho andado.



O que é boa aparência? Bem, não é ser pomposo e engomado, ou se fazer de grande e poderoso entre as pessoas, porque o orgulho põe a perder os corações, ao passo que as palavras gentis os cativam. Não é tampouco usar roupas finas; porque roupa extravagante é a mesma coisa que uma casa suja por dentro e com a entrada sem a limpeza adequada. Esse tipo de roupa é considerado a melhor parte em uma boneca. Quando um homem é vaidoso como um pavão, todo pomposo e exibido, ele precisa se converter antes de pregar para os outros. O pregador que mede a si mesmo pelo espelho, pode agradar algumas jovens tolas, mas nem Deus nem os homens se mantêm muito tempo com ele. O homem que deve sua grandeza ao seu alfaiate descobre que essa agulha e essa linha não conseguem manter um tolo no púlpito por muito tempo. Um cavalheiro deve ter mais em seu bolso que sobre os ombros, e um ministro deve ter mais a mostrar em seu interior que em sua aparência externa. Se pudesse, eu diria para os jovens pastores não preguem de luvas, porque os gatos não caçam ratos com luvas de boxe, e que não passem muita brilhantina no cabelo como fazem os vaidosos, porque ninguém se preocupa em ouvir a voz dos pavões; não tenham sempre em mente apenas sua bela aparência, ou ninguém mais se preocupa com vocês. Tirem os anéis de ouro, as correntes e as jóias; por que o púlpito deve se transformar em uma vitrine de jóias? Excluam para sempre as sobrepelizes e as batinas e todas essas vestimentas exageradas, os homens devem afastar de si as coisas infantis. Uma cruz nas costas representa o sinal do diabo no coração; os que fazem como Roma devem ir a Roma e mostrar suas credenciais de herdeiros. Se os padres supõem que conseguem o respeito dos homens honestos por causa da indumentária fina estão muito enganados, pois é voz corrente: “O hábito não faz o monge”, e: “O macaco não se parece tanto com um macaco como quando veste o manto papal”.


Entre nós reformistas, o pregador não reivindica poderes sacerdotais e, portanto não deve jamais usar uma vestimenta especial. Deixem os tolos usarem capuzes e hábitos tolos, pois os homens que não reivindicam a tolice não devem usar roupas desse tipo. Ninguém a não ser uma ovelha imbecil usaria a pele de um lobo. É um gosto estranho o que leva os homens a ansiarem pelos farrapos de um ladrão. Além disso, qual é o lado bom desse aparato espalhafatoso? Nenhuma criatura poderia parecer mais estúpida que um pregador reformista com um capuz que não tem utilidade nenhuma para ele, com exceção de um pato que use tamancos. Eu morro de rir quando vejo nossos doutores com toga e faixas, esbaforidos com suas roupas de seda, enfeitados com seus pequenos peitilhos, pois eles me lembram muito o nosso conhecido peru quando fica estufado com os temperos postos em seu interior. Com certeza, são muito tolas as pessoas que querem ver um homem vestido como mulher em vez de apreciar seu sermão; e aquele que não consegue pregar sem essa vestimenta espalhafatosa pode se achar um homem entre simplórios, mas é um simplório entre homens. Ao mesmo tempo, o pregador deve se esforçar, de acordo com seus recursos, para vestir-se de forma respeitável; e em relação à pureza, ele não deve ter máculas, pois os reis não devem ter homens de pés sujos junto de sua mesa; e aqueles que pregam as coisas de Deus devem praticar o asseio. Eu daria preferência às gravatas brancas, se elas fossem sempre brancas, porque marrom de sujeira não cabe em lugar nenhum. Podemos nos ver livres de um pároco relaxado, enfumaçado, aspirador de rapé, bebedor de cerveja? Muitos dos que encontrei talvez até tivessem muito boas maneiras, mas não lhes ocorria terem boas maneiras consigo mesmo havia muito tempo. Como um capitão holandês deixa as âncoras no mar, eles deixaram as boas maneiras em casa; mas esse jamais deve ser o argumento para tornar um pároco bem comportado em o ministro. Um paletó surrado não significa desonra, mesmo o mais simples deles pode estar bem apresentado, e os homens devem ser estudiosos, e não professores, até alcançar esse patamar. Não se pode julgar um cavalo pelo arreio; mas uma aparência modesta, distinta, em que a roupa é do tipo sobre a qual não se pode fazer comentário, parece-me ser o tipo certo de coisa.
Esse pequeno ponto de minha reflexão tem o objetivo de advertir vocês jovens que acabam de se iniciar no ministério; e se algum de vocês ficar bravo por causa desses comentários, terei de lembrá-los que cavalos com feridas no lombo não suportam ser escovados, e, de novo, “aqueles a quem a carapuça servir, vistam-se de João Lavrador”, vocês dirão que teria sido melhor remendar o próprio avental e deixar o pároco em paz, mas peço licença para cuidar de mim e falar o que me vem à mente, pois um gato pode mirar um rei, e um tolo pode dar bons conselhos ao homem sábio. Se eu falar com muita simplicidade, por favor, lembrem-se de que o cão velho não consegue mudar sua forma de latir, e aquele que por muito tempo foi acostumado a arar em um sulco reto também é muito competente para falar com honestidade.

SABEDORIA BIBLICA – C.H. SPURGEON 
Arquivo Pessoal

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A Igreja de Cristo

Publicado: 26.05.2013 em imagem, Reflexão